COMO EU LEIO

FEDERIGO TOZZI

Tradução de Jaimir Conte

 

“Como eu leio” (Come leggo io, no original), é um ensaio do escritor italiano Federigo Tozzi. A redação do ensaio data de 1919. Nele, Tozzi descreve seu método idiossincrático e não linear de leitura, baseado na desconfiança e na interrupção sistemática da narrativa. Tozzi propõe, “apenas para meu uso”, um sistema de leitura fragmentada, que privilegia a análise de frases isoladas e a resistência aos “efeitos garantidos” da trama. Para ele, a qualidade literária se revela na precisão estilística e na profundidade com que o escritor capta a realidade humana, prescindindo de artifícios e convenções literárias. O ensaio constitui uma crítica à leitura passiva e à retórica vazia. Mais do que revelar o seu método de leitura, Tozzi fornece também ao seu leitor indícios de como ele escrevia.

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LÍNGUA, EPISTEME E TERRITÓRIO

Ensaio para uma tecitura de relações

ARIEL MONTES LIMA

 

A relação entre língua, território e epistemologia constitui um campo de investigação fundamental para compreender os modos de existência, de produção de saber e de inscrição simbólica dos sujeitos no mundo. Esses três elementos – frequentemente analisados de forma isolada – revelam, em sua interseção, a complexidade das dinâmicas culturais, políticas e históricas que sustentam a construção das realidades sociais. A língua, longe de ser um instrumento neutro, participa ativamente da constituição dos regimes de verdade e das formas de subjetivação. O território, por sua vez, não se limita à dimensão geográfica, mas configura-se como espaço relacional, simbólico e político. Já a epistemologia, compreendida aqui como o conjunto de saberes legitimados em determinada cultura ou época, é atravessada pelas mediações linguísticas e pelos lugares sociais de enunciação.

Este trabalho, destarte, busca analisar a articulação entre esses três eixos – língua, epistemologia e território – a partir de uma perspectiva transdisciplinar, que combina fundamentos da linguística, da filosofia da linguagem, da geografia crítica e dos estudos decoloniais. Propõe-se, assim, um ensaio teórico que não apenas discute categorias, mas que também tensiona os modos como o saber é produzido, autorizado e localizado.

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