APROPRIAÇÕES DA CULTURA GEEK NO ENSINO DE HISTÓRIA

Entre Ficção e Realidade

LENNON FOGAÇA BASTOS

RESUMO
O presente trabalho vai discorrer sobre como a cultura geek pode ser utilizada como ferramenta pedagógica no ensino de história, aproximando os conteúdos escolares da realidade dos alunos. A pesquisa discute a origem dos termos nerd e geek, além de mostrar como obras audiovisuais e literárias podem estimular o interesse dos estudantes em contribuir para o desenvolvimento do pensamento crítico. O autor também destaca os desafios enfrentados pelos professores na adaptação dessas mídias ao ambiente escolar, defendendo a necessidade de uma mediação crítica para evitar interpretações simplistas e anacrônicas. Ao decorrer do texto, serão apresentados exemplos de obras da cultura pop que podem ser analisadas historicamente, como Star Wars, Kung Fu Panda 2 e Shrek 2. O trabalho mostra como essas narrativas dialogam com acontecimentos e problemas sociais reais, permitindo discussões sobre processos históricos e mazelas sociais. Além disso, a aplicação da psicologia das cores como auxílio interdisciplinar para interpretar símbolos, personagens e elementos visuais presentes nessas obras. Por fim, o artigo defende que a cultura geek não deve ser vista apenas como entretenimento, mas como um recurso pedagógico que torna o ensino de história mais dinâmico, crítico e próximo dos estudantes. Essa metodologia quando utilizada com um planejamento adequado pode ampliar o engajamento e a percepção dos alunos em relação ao tipo de conteúdo consumido através de mídias físicas e digitais, fortalecendo um ensino mais crítico e reflexivo, além de estar conectado às múltiplas linguagens presentes na sociedade contemporânea.

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COMO EU LEIO

FEDERIGO TOZZI

Tradução de Jaimir Conte

 

“Como eu leio” (Come leggo io, no original), é um ensaio do escritor italiano Federigo Tozzi. A redação do ensaio data de 1919. Nele, Tozzi descreve seu método idiossincrático e não linear de leitura, baseado na desconfiança e na interrupção sistemática da narrativa. Tozzi propõe, “apenas para meu uso”, um sistema de leitura fragmentada, que privilegia a análise de frases isoladas e a resistência aos “efeitos garantidos” da trama. Para ele, a qualidade literária se revela na precisão estilística e na profundidade com que o escritor capta a realidade humana, prescindindo de artifícios e convenções literárias. O ensaio constitui uma crítica à leitura passiva e à retórica vazia. Mais do que revelar o seu método de leitura, Tozzi fornece também ao seu leitor indícios de como ele escrevia.

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LÍNGUA, EPISTEME E TERRITÓRIO

Ensaio para uma tecitura de relações

ARIEL MONTES LIMA

 

A relação entre língua, território e epistemologia constitui um campo de investigação fundamental para compreender os modos de existência, de produção de saber e de inscrição simbólica dos sujeitos no mundo. Esses três elementos – frequentemente analisados de forma isolada – revelam, em sua interseção, a complexidade das dinâmicas culturais, políticas e históricas que sustentam a construção das realidades sociais. A língua, longe de ser um instrumento neutro, participa ativamente da constituição dos regimes de verdade e das formas de subjetivação. O território, por sua vez, não se limita à dimensão geográfica, mas configura-se como espaço relacional, simbólico e político. Já a epistemologia, compreendida aqui como o conjunto de saberes legitimados em determinada cultura ou época, é atravessada pelas mediações linguísticas e pelos lugares sociais de enunciação.

Este trabalho, destarte, busca analisar a articulação entre esses três eixos – língua, epistemologia e território – a partir de uma perspectiva transdisciplinar, que combina fundamentos da linguística, da filosofia da linguagem, da geografia crítica e dos estudos decoloniais. Propõe-se, assim, um ensaio teórico que não apenas discute categorias, mas que também tensiona os modos como o saber é produzido, autorizado e localizado.

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CONSIDERAÇÕES FILOSÓFICAS SOBRE O LIVRO “O CAPOTE”

ARYANE RAYSA ARAÚJO DOS SANTOS

As relações entre filosofia e literatura frequentemente se entrelaçam, uma vez que o pensamento filosófico se manifesta na literatura, enquanto esta, por sua vez, reflete os grandes debates filosóficos. Neste ensaio, não nos propomos a delimitar as fronteiras entre filosofia e literatura, pois trata-se de uma tarefa muito extensa, nosso objetivo é explorar como essa relação se desenvolve a partir de duas obras bem especificas que nos propomos comentar. Para tanto, tomaremos como exemplo a novela O Capote, de Nikolai Gogol, escrita no século XIX, e a obra Introdução ao Filosofar: O Pensamento Filosófico em Bases Existenciais, de Gerd A. Bornheim. Utilizaremos alguns conceitos discutidos por Bornheim para analisar a novela de Gógol, especialmente no que concerne à atitude do protagonista, Akáki Akákievitch, diante do mundo e de sua própria existência.

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DANTE, JOYCE E O TERCEIRO CÉU

ALBÉRIS ERON FLÁVIO DE OLIVEIRA

Neste ensaio, refletimos sobre a presença do “Céu” como lugar, na imaginação e nos escritos de três bem conhecidos escritores: Paulo de Tarso, representante do mundo mais antigo, para muitos o grande fundador do cristianismo; Dante Alighieri, com referências saindo direto da idade Média; e James Joyce, escritor Irlandês que, em sua formação, conheceu os textos de Paulo e de Dante, com sua narrativa pertencendo mais diretamente ao mundo moderno.

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OS EXPERIMENTOS LINGUÍSTICOS DE SÉRGIO MEDEIROS COMO BORRAMENTO DAS FRONTEIRAS ENTRE GÊNEROS E ARTES

HENRIQUE DUARTE NETO

Sérgio Medeiros, professor de literatura da UFSC, crítico literário e entusiasta dos diferentes tipos de manifestação artística, é, na verdade, não apenas um poeta iconoclasta, radical, mas também um multiartista que, partindo da poesia, busca não apenas romper as demarcações desse gênero, mas, também, os limites entre as diferentes artes que o instigam a criar. Nesse sentido, sua obra de cerca de 25 anos, que vai de Mais ou menos do que dois (Iluminuras, 2001) até Porto do Pantanal (Iluminuras, 2025), é exitosa.

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“A BALSA” DE DA COSTA E SILVA

Mediação entre natureza e cultura

WANDERSON LIMA

O poema “A balsa”, de Da Costa e Silva, incluído em Zodíaco (lançado em 1917), costuma ser lido como uma evocação lírica da paisagem piauiense, marcada por um tom nostálgico e descritivo:

Esfolha-se a manhã em rosas de ouro,
Sobre o rio caudal de águas ligeiras,
A rolar em cachões nas cachoeiras,
Onde espuma rugindo como um touro.

Os barcos, a sonhar no ancoradouro,
Velas ao sol como asas e bandeiras,
Agitam-se às canções das lavadeiras
Que, pela riba, vão cantando em coro.

E rio abaixo, sobre as águas claras,
À superfície móvel da corrente,
Desce uma tosca embarcação de varas.

É a balsa – a leve habitação flutuante,
Simples e boa, que transporta a gente
Da minha terra, no sertão distante…

No entanto, essa leitura, embora pertinente, tende a permanecer na superfície imagética do texto, deixando em segundo plano a organização mais profunda que sustenta a construção simbólica do soneto. Com a ajuda do modelo estruturalismo de Claude Lévi-Strauss (2008), esse ensaio, se bem-sucedido, tentará mostrar essa organização mais profunda, buscando entrever, sob a bem arquitetada tessitura lírica, uma lógica de relações fundada em oposições e mediações.

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O TORMENTO DE LÁZARO

JOSÉ ELIAS

Água.
Fria demais.
Escura demais.
O corpo entra antes da decisão. Um passo em falso. O chão some. O peso puxa. O mundo vira baixo e cima ao mesmo tempo. O choque corta o fôlego.
Braços se agitam. Errados. Rápidos demais. A água entra na boca. Amarga. Dura.
Ele tenta subir. Não sobe.
As pernas chutam o vazio. Os braços batem em algo que não cede. Pedra? Madeira? Não importa. O ar não vem. O peito queima. Queima rápido demais. Não.
O pensamento não termina.
O corpo entra em pânico antes da mente entender. Ele se debate, gira, perde a noção de onde está a superfície. Tudo é peso. Tudo empurra para baixo. A água invade os ouvidos, os olhos, o nariz.
Ele tenta gritar. A boca abre.
A água entra.
O som morre ali.

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A ESCRITA E O SER

HERASMO BRAGA

No âmbito do tempo histórico, o cultivo e desenvolvimento da interação humana através da oralidade é muito maior quando comparado ao da escrita. Muitas tradições e concepções culturais continuam a ser transmitidas em maior número pelos percursos da oralidade, mesmo com toda relevância que a escrita ganhou nos últimos tempos na história humana. Em meio a essa maior compatibilização mediada pela linguagem oral, a escrita, por sua vez, realiza uma interface mais aprofundada dos indivíduos no âmago do seu ser.

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“SOBRE RILKE E COMO SE FAZ UMA POESIA”

ALBÉRIS ERON FLÁVIO DE OLIVEIRA

Demorei um pouco para pôr no papel o que eu queria desta vez. Pensando, só queria uma forma de começar. Tempo inquieto, eu inquieto.

O tempo não é uma coisa que podemos pegar com as mãos. Parece que ele passa por dentro de nós e, às vezes, rápido demais.

Pois bem. Encontrei um livro que havia comprado há alguns anos que, de algum modo, me fez escrever hoje pela manhã: “Cartas a um Jovem Poeta”, de Rainer Maria Rilke.

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