O SOM COMO LINGUAGEM

Convergências entre o filme Psicose (1960) e a poética do cordel

LAIANE LIMA FREITAS

O som ocupa papel central na construção da linguagem cinematográfica e na experiência estética do espectador. Desde os primórdios do cinema, mesmo antes do advento do chamado “cinema falado”, a música e os efeitos sonoros já se faziam presentes como recursos fundamentais para intensificar emoções, criar atmosferas e orientar a recepção das imagens em movimento. A articulação entre a banda sonora, composta por música, ruídos e voz, e a banda visual constitui um sistema semiótico complexo, em que cada elemento contribui para a elaboração de sentidos. No caso de gêneros como o suspense e o terror, o som se revela determinante, seja no grito que ecoa como expressão máxima do medo, seja nos silêncios que instauram tensão e expectativa.

Ao mesmo tempo, a literatura de cordel, em sua tradição poética e oral, compartilha com o cinema a centralidade do som. Seja pela métrica, pela musicalidade dos versos ou pela performance da declamação, o cordel evidencia como a palavra escrita preserva a dimensão acústica da poesia. Assim como a trilha sonora intensifica o efeito das imagens no cinema, os recursos fônicos e rítmicos potencializam o efeito da narrativa popular.

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DAS FERIDAS NARCÍSICAS EM “ELES ERAM MUITOS CAVALOS”

LUCAS NEIVA DA SILVA

Do espanto nasce a mestiçagem entre poesia e filosofia. Isso é discutido por Pucheu em Escritos da admiração, quando o poeta afirma que ambas se aproximam não tanto pela via da interrogação, da dúvida, mas pela via da exclamação. Da “exclamação das palavras que insistem em transbordar com o admirável” se materializa uma poesia-pensamento. Consequentemente, essa “miscigenação conduz da apatia ao páthos do admirável, do aético ao éthos do espanto”.

Pois bem. Nessa perspectiva, é possível pensar que o espanto que emerge da e na literatura possui um potencial filosófico. O acontecimento espantoso – ou, em um neologismo imperfeito, evento espantático, em analogia ao evento traumático da psicanálise – funciona como uma zona de indiscernibilidade e transdisciplinaridade entre o poético e o filosófico, na ordem do “o quê?” para o primeiro, e do “como?” para o último.

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