três poetas alemãs
Tradução de Fernando Miranda






Hilde Domin
(1909-2006)


mais belos


Mais belos são os poemas de felicidade

Como a pétala é mais bela que o caule
que a sustenta
são mais belos os poemas de felicidade.

Como o pássaro é mais belo que o ovo
quão belo quando vem à luz
é mais bela a felicidade.

E são mais belos os poemas
que eu nunca escreverei.
 

Schöner

Schöner sind die Gedichte des Glücks.
Wie die Blüte schöner ist als der Stengel
der sie doch treibt
sind schöner die Gedichte des Glücks.
Wie der Vogel schöner ist als das Ei
wie es schön ist wenn Licht wird
ist schöner das Glück.
Und sind schöner die Gedichte
die ich nicht schreiben werde.
         



equilíbrio

Nós vamos
cada um por si
no caminho estreito
sobre as cabeças dos mortos
- quase sem medo-
seguindo nossos corações,
como se estivéssemos protegidos,
enquanto o amor
não se interrompe.

Assim vamos nós
entre borboletas e pássaros
em admirável equilíbrio
para uma manhã da copa das árvores
- verde, dourado e azul –
e para o despertar
dos olhos apaixonados.

Gleichgewicht

Gleichgewicht
Wir gehen
jeder für sich
den schmalen Weg
über den Köpfen der Toten
- fast ohne Angst -
im Takt unsres Herzens,
als seien wir beschützt,
solange die Liebe
nicht aussetzt.
So gehen wir
zwischen Schmetterlingen und Vögeln
in staunendem Gleichgewicht
zu einem Morgen von Baumwipfeln
- grün, gold und blau -
und zu dem Erwachen
der geliebten Augen.


 



todos os meus navios

Todos os meus navios
esqueceram os portos
e meus pés o caminho.
Não será semeado nem colhido
pois não é nenhum passado
e nenhum futuro,
mal um teatro no dia.

Apenas o pequeno
afetuoso intervalo
entre ti e eu
que tu não reduzes.

Alle meine Schiffe     

Alle meine Schiffe
Alle meine Schiffe
haben die Häfen vergessen
und meine Füße den Weg.
Es wird nicht gesät und nicht geerntet
denn es ist keine Vergangenheit
und keine Zukunft,
kaum eine Bühne im Tag.

Nur der kleine
zärtliche Abstand
zwischen dir und mir,
den du nicht verminderst.


Silke Scheuermann
(1973)


canção do autoretrato de um pintor

Os olhos de Rembrandt eu nunca
entendi Como tão calmos
olham da tela
e contam

o que significa a dádiva tudo em imagen
toma inclusive a si próprio Como
o mandato das sombras
não apazigua mas sim sempre

continua de toda a consequência
e em suave impasto
Como tudo rompe cintilante
para cintilar renovado um novo
lugar num retângulo

O amarelo no jarro de flores voa
com os desejos como se
um dente de leão fosse um cílio 

Lied vom Selbstportrait dieses Malers          

Die Augen Rembrandts habe ich niemals
vberstanden Wie sie hemmungslos ruhig
von der Leinwand sehn
und erzählen

was die Gabe bedeutet alles in Bilder zu
fassen einschließlich sich selbst Wie
das Kommando der Schatten
nicht stillsteht sondern immer

weitermacht rein aus Konsequenz
und in sattem Impasto
Wie alles schimmert abbricht
Uu erneut zu schimmern einen neuen
Platz in einem Rechteck sucht

Das Gelb im Blumenkrug etwa Es fliegt
mit Wünschen weg als ob
ein Löwenzahn voll Wimpern wär



Kerstin Preiwuß 
(1980)


sete vidas tem o gato
morre sozinho em cada uma

katzensprung          

sieben leben hat die katze
in jedem stirbt sie allein





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Fernando Miranda é formado em Lingua e Literatura Alema pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Atualmente, mestrando do programa Crossways in European Humanities, com bolsa Erasmus Mundus, tendo a Universit"at T"ubingen como "home university".



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[revista dEsEnrEdoS - ISSN 2175-3903 - ano II - número 7 - teresina - piauí - outubro/novembro/dezembro de 2010] 
 
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