Poesia e utopia

Wanderson Lima

 


MOISÉS, Carlos Felipe. Poesia & utopia: sobre a função social da poesia e do poeta. São Paulo: Escrituras, 2007.
 



Esta pesquisa de Carlos Felipe Moisés apresenta, em suas decisões mais fundamentais, dois acertos que serão fundamentais para o êxito atingido pelo poeta-crítico em sua jornada teórica.

 

 O primeiro desses acertos diz respeito ao gênero a que o poeta-crítico se filia, o ensaio. De fato, abordar um tema complexo, cheio de intervenções respeitáveis, mas ao mesmo tempo sujeito a tantas informações disparatadas, exige certa dose de humildade, ceticismo e bom humor. Estes traços “montaigneanos” não faltam ao texto de Carlos Felipe Moisés. Juntos, eles concentram um poder persuasivo irresistível ao leitor, que se vê pego nessa teia de cumplicidade elaborada pelo ensaísta. Erudição e discernimento não também não lhe faltam; ainda assim, em vez de declarar seu pensamento auto-suficiente e completo, ele prefere, inclusive às vezes com apóstrofes dirigidas ao leitor, chamar este parceiro a co-participar da reflexão. O resultado dessa operação: uma sentimento de reflexão in progress que se completa na e pela escrita, livre de juízos de valor rigorosamente pré-estabelecidos.

 

O segundo acerto de Carlos Felipe diz respeito ao tom por ele adotado no decorrer do livro. De Percy Shelley a Octavio Paz, são numerosas as “defesas da poesia” que caem na religião esteticista, colocando-a como salvação da humanidade. O condor hugoano, o albatroz baudelaireano, o profeta do vazio mallarmaico, além de outras miríades de exemplos que poderíamos arrolar, estão aí, com mais ou menos ênfase, para destacar o poeta como consciência à parte, privilegiada. Em última estância, não creio que sejam falsos estes emblemas – o problema é que em mãos e mentes menos sábias que as de um Hugo, um Baudelaire, um Mallarmé, um Rilke, um Pound, um Auden, e um Paz elas descambam para uma retórica afetada e cheia de autocomiseração, quando não para o puro ressentimento. Pois bem, Carlos Felipe Moisés não grita nenhum desespero ressentido; sem querer soar as trombetas da novidade, ele quer apenas destilar suas perplexidades, sintetizar posturas, fazer apostas. Ou seja: nada em Poesia & Utopia soa peremptório. É o livro honesto, não um manual de prestidigitação ou um escrito doutrinário: quem quiser verdades sólidas ou profecias, deve esquecer esta obra.

 

A mola-central do ensaio é a indagação, exposta no subtítulo, sobre qual seria o papel social do poema e do poeta hoje (séc. XXI). (Neste ponto, faço um parêntese para uma digressão pessoal: quando li na “Nota preliminar” o mote do livro, tive um desapontamento inicial, achando que se trataria de propor um remake da arte engageé que certos pensadores da esquerda propunham, há poucas décadas, como um lídimo imperativo categórico para autores de todas as latitudes. Minha suspeita aumentou quando lembrei que Carlos Felipe fora o tradutor em língua portuguesa do Sartre de Que é literatura?, livro de muitos méritos, mas, ao meu ver, lido muitas vezes, especialmente em nossa América Latina, de forma dogmática. Qual não foi, portanto, o meu alívio quando, à página 26, fica definitivamente esclarecido que a rebeldia utópica do poeta, para o ensaísta, é de natureza ontológica, de recusa de fundamentos que sustentam este mundo globalizado, e não vinculada a fazer versinhos bem intencionados, de protesto. Nas palavras do ensaísta, ainda na mesma página: “Insubmissão designa a condição intrínseca e despremeditada que enforma a autêntica postura poética, desde os tempos aurorais, e não a reação deliberada, pontual, contra esta ou aquela tirania, esta ou aquela ignomínia”). Como dizia, o livro indaga sobre qual o sentido prático (se o há) do poeta e da poesia hoje. A resposta inicial e declaradamente provisória dada pelo autor roça na indagação aristotélica sobre os poderes da mímesis, glosa o formalismo de Chklovski e parodia o parodiador Oswald de Andrade: “A poesia nos ensina a ver como se víssemos pela primeira vez” (p. 14). Simples?! Nem tanto assim. O ensaio, fincado neste princípio, tem uma estrutura semelhante ao Bolero de Ravel, uma melodia uniforme que, por efeitos de orquestração, progressivamente vai crescendo. Dito sem metáfora, a complexidade da argumentação é crescente e conscientemente dosada, e só ao fim da leitura veremos que a postura inicial era antes uma estratégia didática que mera simplificação. Daí eu discordar veementemente do que o ensaísta diz na “Nota preliminar”: “... a despeito das remissões internas, os capítulos que o formam podem ser lidos isoladamente, na ordem de preferência do leitor” (p. 09). Penso que, lendo aos saltos, o leitor deixará de apreciar a evolução de um pensamento que vai se ajustando às dificuldades, negociando aqui e alhures com os lugares-comuns consagrados e ganhando um corpo sólido.

 

Poesia & Utopia compõem-se de 5 capítulos. Em todos, embora o foco do autor esteja na questão da poesia hoje, o passado é convocado a vir em socorro das questões mais prementes em poesia, arriscaria a dizer (sem que saiba se o autor me abonaria), as questões “eternas” da poesia. Lembremos: estamos diante de um lídimo ensaísta, de alguém muito cético e vivido para alardear novidades brotadas ex-nihilo.

 

Como, indaga o poeta no primeiro capítulo, intitulado justamente Poesia & utopia, como algo tão “primitivo” (p. 12) como a poesia sobrevive numa época de tanto pragmatismo e culto da eficácia? Que mister teria o poema numa era desafeita à contemplação e às indagações radicais? Como Octavio Paz e Alfredo Bosi, Felipe Moisés vislumbra uma cisão entre o ser da poesia e os valores que fundamentam (vale ainda falar em fundamentos a esta altura?) a sociedade capitalista global. Primeiro esboço de resposta: a poesia é uma pedagogia do olhar, ela ensina a ver. Neste caso, o poeta é, lato sensu, um educador. Mas, sendo assim, o que o diferencia do educador stricto sensu? Onde a linha divisória entre pedagogia e poesia? Dirá o ensaísta: “ ... tanto o poeta quanto o educador ensinam a conhecer ou a compreender. O primeiro, como não detém o conhecimento de nenhum objeto específico, atém-se ao ato que pode conduzir à apreensão de objetos em geral; o segundo, por se definir em razão do conhecimento especializado que detém, em cada disciplina ou ramo da ciência a que se dedicar, concentra-se em ensinar esse mesmo conhecimento” (p. 17, itálicos do autor). Mais avançada que as mais avançadas pedagogias – onde ensinar deixou há muito de ser mera transmissão de conteúdos – , o cerne do ensinamento da poesia é enfatizar antes o processo da aprendizagem do que os resultados finais. Mas, lembra o autor, ainda aqui, neste patamar, certas tendências pedagógicas estão de mãos dadas com a poesia. Assim, cumpre ir mais além, e autor não hesita em afunilar a questão afirmando que, em certo sentido, a poesia é uma antipedagogia, uma vez que a poesia ensina por uma via negativa: exige que suspendamos, ao menos provisoriamente, nossas certezas; que aprendamos a desaprender. Dirá Felipe Moisés:

 

A poesia não espera e não aceita que conhecimentos se acumulem para formar um todo homogêneo e coeso; para a poesia, esse todo não passa de miragem ou impostura. [...] Em matéria de conhecimento, desde que se trate de poesia, o único pré-requisito é estar apto a ver, enquanto ato inaugural, a semente de qualquer árvore do saber. A poesia, em suma, sempre atuou e continuar a atuar no sentido contrário ao esforço dos séculos, que veio culminar na entronização da idéia de que o ser humano não passa de máquina que produz e consome [...] (p. 22, itálicos do autor).

 

Esta a raiz da insubmissão da poesia: sua negação ontológica, radical dos fundamentados que geraram a sociedade da produção, do consumo e do progresso. O protesto do poeta desce às raízes da questão, seu engajamento é ontológico; a poesia de protesto, neste sentido, nega apenas superficialmente os valores da sociedade burguesa, nega-os no nível político, não em suas raízes profundas. A ensinança poética é um fazer criativo, um poien; o ensino “comum” é um fazer utilitarista, uma techné. Dito isto, não se pense que o autor nos propõe a supremacia da ensinança poética ou, pior ainda, que expresse o desejo de ver a pedagogia ceder lugar à poesia. A postura do autor é dialética, e a poesia, neste caso, é um agente desestabilizador necessário à saúde da sociedade. Ainda neste capítulo, o autor realiza uma digressão providencial sobre as raízes da hostilidade para com a poesia no Ocidente, revisitando a República de Platão. Mais que uma estratégia didática, tal decisão é o reconhecimento de que nosso problema, o problema do lugar do poeta na sociedade, não é de hoje. Nem mesmo os modos de tentar solucioná-lo mudaram tanto, de Platão aos platônicos de hoje. (Claro, há outro Platão, o do diálogo Íon, mas trazê-lo à tona seria fugir da discussão em pauta e mergulhar em outras águas, antigas e profundas).

 

O segundo capítulo (“Make it new”), sofisticado em seu jogo entre argumentação e narrativa, em seu passeio temporal da China de Confúcio à América de Pound, empreende uma ponderação sobre o “Make it new” (Faça-o novo) poundiano e uma condenação, ainda que nuançado, da atividade vanguardista. Neste sentido, Carlos Felipe Moisés faz coro com Octavio paz (Os filhos do barro), Antoine Compagnon (Os cinco paradoxos da modernidade) e Zygmunt Bauman (O mal-estar da pós-modernidade), entre outros. Aliás, Paz, juntamente com Y. Michaud e W. Weidlé endossam os momentos mais polêmicos das afirmações do autor. O ponto de partida é simples e, a meu ver, certeiro: “ [...] o ‘Make it new’ poundiano corresponde à exacerbação do grande ideal romântico” (p. 54). O ensaísta lamenta, com razão, que a posição mais moderada de Eliot, no arquifamoso ensaio “Tradition and the individual talent” (Tradição e talento individual), “sequer chegasse a rivalizar com o apelo formidável do radicalmente novo” (p. 55). Sem deixar de reconhecer que Pound fora muitas vezes tomado erroneamente como “o campeão imbatível do ‘avanço’ e do ‘progresso’” (p. 55) e sua postura reduzida a “um maniqueísmo pueril” (idem)  – fustigadas indiretas ao concretistas? – a avaliação da pedagogia estética exercida pelo autor de The Cantos não deixa de ser negativa:

 

Pound talvez tivesse em mente a gigantesca tarefa que então se oferecia a artistas e poetas modernos, as “antenas da raça”: inovar radicalmente, a fim de que  arte e poesia viessem a sintonizar com o mundo contemporâneo, mergulhado em prodigiosas transformações. Mais do que definir um programa de arte, porém, ou um ideal a ser atingido, “Make it new” confirma e legitima o que os meios de produção do mundo capitalista já haviam adotado, tempos atrás, como condição de sobrevivência do sistema assim concebido: produção em escala industrial, cujo apogeu é a economia globalizada, o que significa entronizar o avanço, a mudança incessante e a expansão sem limites, como valores em si, impostos pela techne, independente de quaisquer “finalidades humanas” (p. 63).

 

Sob a égide do experimentalismo sem freios, pensa Carlos Felipe, a poesia ou debanda para a “hipersofisticação hermética” (p. 64), ou passa a disputar lugar com certas trivialidades da indústria cultural (moda, comunicação de massa, entretenimentos espúrios). Num caso ou noutro, a opção é suicida para a arte poética; finda-se, perante estas atitudes, “o poien responsável pelo mito milenar da re-integração do Homem no Mundo, que só seria possível entrever no sentido humano posto a circular pela obra e não no teor mais ‘avançado’ das ferramentas de que o poeta se utilize” (p. 65). Arrisco aqui um palpite: o Pound que o ensaísta quer destruir, sem se inteiramente infiel à figura de Pound (pelo menos a que eu conheço, a que eu pude entender), é, antes de qualquer coisa, o Pound erigido pelo discurso do Concretismo.

 

O terceiro capítulo intitula-se “Pelos olhos e pelos ouvimos”, e representa um diálogo produtivo, por um lado, com as reflexões de Paul Zumthor sobre a poesia oral e, de outro, com os teóricos da estética da recepção (Jauss, Iser) sobre a questão dos modos de circulação e recepção dos textos poéticos por seus leitores. Indaga Carlos Felipe Moisés em que medida “a mudança da palavra oral para a palavra escrita produz ou induz formas e sentidos específicos de percepção do fato poético” (p. 74). Sabemos – mas muitas vezes negligenciamos – que a circulação da poesia de maneira predominantemente escrita é um fato relativamente novo na história da humanidade, fato propiciado pela invenção de Gutenberg (1394?-1468). Ora, este acontecimento fez a poesia paulatinamente deixar de ser uma experiência coletiva “para se tornar uma espécie de vício secreto, individual e intransferível, cada vez mais afastado, pelo menos aparentemente, dos interesses gerais da coletividade” (p. 71). A recepção do poema, assim, muda de estatuto: o desafio à capacidade cognitiva do leitor aumenta e, a reboque disso, o risco de uma recepção demasiado “lógica”, desatenta à música e ao apelo emotivo do texto poético. Por outro lado, a solução talvez não esteja na “poesia que se oferece aos ouvidos” (p. 80), pois aqui o risco é outro, oposto e igualmente grave: deixar passar por cima a complexa urdidura formal do poema, sorvendo-se do texto poético apenas sua retórica emotiva. Aqui, mais uma vez, o autor fustiga a poesia participante, declamatória, que “corre sempre o risco de que seu alcance ideativo se reduza à repetição de ‘palavras de ordem’, de fácil e imediata assimilação, que no geral apenas confirmam o que a platéia já sábia. Neste caso, não se trata de comoção gerada pelo poema, ou de conhecimento poético propriamente dito [...]” (p. 80).

                   

“Da praça pública à mansarda”, o quarto capítulo, mantém uma ligação visceral com o anterior, por ainda sondar um aspecto ligado ao fato de a criação poética ter mudado da predominância do registro oral para a do registro escrito. Que aspecto é este? A demissão do poeta do espaço público e a conseqüente “liricização” do poema: a voz do poeta deixa de “ecoar fora, passa a aguardar no silêncio da página impressa que a intervenção do leitor lhe atualize as potencialidades, tornando-a voz de todos” (p. 91). O poeta, agora, banido dos ritos coletivos, encontra-se clivado, apresentando uma personalidade civil e uma personalidade literária. Em termos schillerianos, passamos da “poesia ingênua” para a “poesia sentimental”. Em língua portuguesa, segundo o autor, já em Camões, pelo fim de Os lusíadas (“Não mais, Musa, não mais...”), começam a vicejar os sintomas dessa mudança. No Romantismo, porém, é que esta consciência se agudiza, atingindo seus píncaros mais adiante com Baudelaire, que funda a lírica moderna. Neste passo, Carlos Felipe Moisés acompanha de perto a argumentação consagrada de Hugo Friedrich, em Estrutura da lírica moderna, que toma como traços do lirismo moderno a dissonância, a obscuridade e despersonalização. A negatividade da poesia pós-romântica, modelar em Baudelaire, reflete “a consciência da mutabilidade e da indeterminabilidade que passaram a fazer parte do sujeito” (p. 104). Na modernidade, grassa “uma espécie de individualismo sem sujeito e sem objeto estável, que, contrariamente ao cogito cartesiano, desloca do intérprete para a interpretação o centro de gravidade do real” (p. 105, itálico do autor). Eis aí a fonte do nosso apego ao perspectivismo nietzscheano; eis aí Fernando Pessoa, García Lorca e companhia. Resumo da ópera: “Tendo freqüentado primeiro a praça pública; tendo passado depois pala sala de visitas, de onde logo migrou para o espaço da rua, o poeta parece ter encontrado [...] na ‘mansarda’ o seu verdadeiro lugar, na sociedade moderna”.  O poeta se marginaliza. E nunca é demais lembrar que essa crise do sujeito não é exclusividade do poeta ou mesmo do artista em geral. A poesia, neste caso e sempre, não pode ser uma panacéia; no máximo, se servir para algo, será como um exemplo “de atitude a ser recriada pelo leitor, à sua medida e não à media do poeta” (p. 111, itálico do autor).

 

O último capítulo, “A hora da poesia”, é um exercício de ironia. Pelo menos assim o entendo. Perfaz-se, em seu cerne, da leitura de uma crônica, pouco menos que estúpida, estampada numa revista semanal de grande circulação. Mas por que não recorrer a uma autoridade no assunto, a um dos tantos críticos arrolados no decorrer do texto, em vez de resgatar a voz de um não especialista? Eis o argumento do ensaísta: “O primado da especialidade não se aplica à poesia autêntica” (p. 116).  Assim, se quisermos de fato saber para que serve a poesia, a opinião do dentista, do motorista, do pedreiro, do terapeuta será de grande valia. Eles, claro, podem não entender a fundo de poesia, mas decerto que detêm conhecimentos, talvez maiores que o do crítico e o do poeta, da sociedade em que vivem. Diante dessa indagação sobre a serventia do poema, o crítico, o professor, o pensador e o próprio poeta fariam certamente uma apologia da poesia, mas uma apologia viciada pela perspectiva de que falam. Salto toda a análise que Felipe Moisés faz pacientemente do texto para colher apenas seu resultado final: para o autor do texto, que é economista, a poesia é um paliativo contra as durezas do cotidiano; é um descanso dos trabalhos burocráticos; uma recompensa após um dia de chateação; enfim, um justo espaço destinado ao devaneio. Devemos fazer alarde contra essa opinião reducionista? Negaremos que ela tem alcance coletivo? Se eu alcancei o propósito do ensaísta em seu final um tanto ambíguo, que mescla derrotismo e esperança utópica à maneira de certas páginas de Benjamin, afirmo que é aí, e por isto daí, que a chama utópica da poesia, com toda a sua radicalidade, se faz necessária. Afinal, a “perseguição exclusiva de fins não-utópicos” (p. 136) não engendrou, não vai engendrar uma sociedade melhor para se viver, no máximo nos instalará num mundo ainda mais eficaz, isto é, quase irrespirável em seu vazio de valores.


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Wanderson Lima é poeta e ensaísta. Professor de literatura da Universidade Estadual do Piauí – UESPI e doutorando em Literatura Comparada pela UFRN. Autor, entre outros, de Reencantamento do mundo: notas sobre cinema (amálgama, 2008), em co-autoria com Alfredo Werney.
Blog: OO Fazedor



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[revista dEsEnrEdoS - ISSN 2175-3903 - ano II - número 7 - teresina - piauí - outubro/novembro/dezembro de 2010]

 

 
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